• Nara Brito Barro Advogada

A Era da Colaboração no mundo pós-pandemia



Ao contrário do que o nome pode sugerir, a era da colaboração vai muito além de doações ou gestos de caridade, e envolve as atividades econômicas com foco no cooperativismo e desenvolvimento social e se relaciona com a ideia de economia solidária.


Nos últimos anos, a economia solidária vem ganhando espaço no mercado por ir ao encontro com propostas de geração de trabalho e renda focadas no desenvolvimento da sociedade como um todo, compreendendo o impacto das ações humanas na sociedade e no meio ambiente e se adaptando para reduzi-lo.


Outro fator importante da economia solidária é agir pensando no bem-estar das pessoas que fazem parte do processo de produção e consumo daquele produto ou serviço, extraindo o máximo potencial humano para o desenvolvimento da sociedade. Entre os principais pilares da economia solidária estão: autogestão; solidariedade; cooperação; respeito ao meio ambiente; comércio justo e consumo consciente.


• Para promover um modelo de desenvolvimento mais sustentável os líderes de governos e das empresas devem modificar as regras econômicas, fazendo políticas para promover todas as estruturas existentes (família, escolas, empresas, governos, etc.) e ao mesmo tempo promover a solidariedade como valor cultural básico.


• A estrutura de um sistema econômico sustentável tem como característica, dentre outras, que as estruturas econômicas são participativas e justas, concebidas para respaldar a responsabilização e o benefício mútuos; com regras, políticas e práticas, a criatividade, as relações justas, a responsabilidade mútua e a preocupação com a natureza e as gerações futuras; o investimento no desenvolvimento do capital humano de alta qualidade necessário para a era pós-industrial é uma prioridade máxima.


Desenvolvimento relaciona-se com a expressão das expectativas mais amplas da sociedade, refere-se a pessoas, não a objetos. Uma visão de prosperidade envolve a habilidade de florescermos como seres humanos, nos limites ecológicos do planeta finito.


Sustentabilidade é um conceito que envolve os negócios na melhora de qualidade de vida das pessoas, respeitando a diversidade cultural, conservando a integridade ecológica para gerações futuras, criando ao mesmo tempo valor aos acionistas.


Promover é ser persuasivo para inspirar ações. Promover o Desenvolvimento Sustentável significa usar nossa imaginação, talento e capacidade para criar um mundo com uma economia solidária, que subsidie a sobrevivência, o desenvolvimento e a realização humana.


Construir um mundo seguro ambientalmente, justo socialmente e próspero para todos é o grande desafio da humanidade no século XXI. E as empresas devem participar ativamente deste processo que é a sustentabilidade. A elas a sociedade confia recursos humanos, naturais e financeiros para serem transformados em bem-estar e riquezas.


Deve existir um alinhamento com os novos valores sociais em ascensão, que exigirá que as organizações se adaptem, assumindo atitudes e comportamentos convergentes com as expectativas da sociedade. É o mercado que deve atender às necessidades dos seres humanos no planeta cada vez mais ameaçado.


E tais aspectos como a solidariedade, colaboração, capacidade de adaptação e criatividade são a chave para manter as engrenagens da economia girando em tempos de coronavírus. Mesmo com a manutenção da quarentena, economistas, representantes de entidades setoriais e empresários têm sido unânimes nas suas declarações públicas: é possível atenuar a crise desencadeada com a doença, e cada um de nós tem um papel nisso.


• De acordo com Cris Fernández Andrada, professora do Departamento de Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a principal motivação das iniciativas solidárias adotadas pelas pessoas está relacionada ao reconhecimento da dor do outro. “Seres humanos são seres coletivos que se identificam com a mesma condição diante de crises agudas que ameaçam nossa existência”, explica.


• São em momentos de ruptura, portanto, que surgem as ações solidárias como um mecanismo de minimizar os danos diante da fragilidade humana e de se reconhecer no lugar do outro. “As iniciativas de solidariedade nos fazem sentir mais potentes no plano coletivo, ampliam nossa resistência e nos mostram que somos iguais e estamos juntos”, avalia Cris Andrada.


• Isso reforça a teoria de que as pessoas são caracterizadas, principalmente, pela cooperação, e que reconhecer os objetivos do outro e ajudá-lo é um passo importante para o desenvolvimento próprio. Mesmo um vírus é melhor combatido por todos juntos.


• Obviamente, ainda não é possível saber se essa onda de solidariedade irá embora junto com a crise do coronavírus, na mesma rapidez com que chegou, pois até agora, nenhuma outra calamidade, por terrível que tenha sido, alterou ao mesmo tempo aspectos sociais, econômicos e ambientais, os três pilares que definem o desenvolvimento sustentável, em escala global.


• A lista de calamidades é grande: vai da explosão do reator da central nuclear de Chernobyl em 1986; passando pelos terremotos que arrasaram Porto Príncipe, no Haiti, em 2010, ou diversas cidades japonesas em 2011; até o atentado de 11 de Setembro, em 2001. Mesmo a chamada gripe espanhola, que, segundo diferentes estimativas, infectou metade da população do mundo e matou de 20 milhões a 100 milhões de pessoas em 1918, aconteceu numa época que nem sequer o rádio estava em uso e as medidas de saúde variavam de país para país..


Mas quanto mais frequentemente mostramos um comportamento pró-social e percebemos como isso é bom – seja na sociedade, seja no nosso círculo de amigos, seja no nível pessoal –, mais repetiremos esse comportamento positivo exaltado nesta crise do Covid-19 que atingiu nossa aldeia global que é interconectada por novas tecnologias eletrônicas.


• E as empresas da Era da Colaboração deverão ficara atentas ao novo mundo pós pandemia e eleger propósitos maiores, colocando à frente do negócio valores que possuam reais significados para a vida das pessoas com quem desejam negociar, valores mais humanizados e condizentes com o poder que a sociedade e o planeta transferem para que possam operar.


• Uma nova geração está surgindo e resgatando valores menos vinculados à materialidade, com uma consciência maior sobre a responsabilidade que possui com a pegada ecológica que produz. A vida em rede que a tecnologia e a internet implantaram iniciou essa transformação no comportamento das pessoas.


• O conhecimento é compartilhado de forma rápida e democrática, encurtando o tamanho do mundo e empoderando as pessoas para que possam exercer sua criatividade e representatividade.


• A percepção e o conhecimento de uma nova realidade e o interesse humano em preservar seu bem-estar está contribuindo para que a cultura da competição esteja em transformação para uma cultura da colaboração. Isso traz uma nova consciência para o mundo dos negócios, agregando novos valores ao dominante valor econômico de mercado.


• Antes as empresas eram o que fabricavam, agora são o que representam. O propósito produz um impacto positivo nas empresas. Para alguns especialistas na área, as empresas devem incorporar sua cultura corporativa em sua missão, visão e valores para que ocupe mentes, corações e espíritos dos clientes atuais e futuros, oferecendo desempenho e satisfação a eles, tanto no nível do produto como no nível mais elevado com a marca sendo vista como algo que realiza aspirações emocionais, praticando a compaixão de alguma maneira.


• Agir como bons cidadãos corporativos e lidar com problemas sociais no âmago de seu negócio, buscando uma transformação sociocultural, enxergando os consumidores como seres humanos que precisam ser empoderados e trabalhar para combater a pobreza deve ser o comportamento das empresas.


• A Era da Colaboração é holística, pretende produzir resultados para as três dimensões da sustentabilidade: econômica, social e ambiental. Equilibra o atendimento dos desejos humanos promovendo o acesso à experiências ao invés da posse de bens. Faz isso atribuindo causas significativas e de impacto para marcas.


O desenvolvimento sustentável não é uma alternativa, é o único caminho para um futuro comum. O mundo não pode ser pequeno demais para nós todos. A colaboração construirá um caminho para o futuro, tornando a sustentabilidade um cenário possível de ser alcançado. Como disse o historiador Leandro Karnal: “A história é feita por nós e nada é imutável”.


• Fontes: http://www.marketingsustentavel.com.br/5-marketing-da-era-da-colaboracao/; https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-04-02/coronavirus-escancarou-a-conta-do-nosso-egoismo.html; https://blog.sebrae-sc.com.br/economia-solidaria-o-que-e/; https://saude.abril.com.br/bem-estar/a-solidariedade-se-multiplica-durante-a-pandemia-de-covid-19/; https://exame.abril.com.br/revista-exame/um-novo-mundo/

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©2020 por Brito e Barro Advocacia e Consultoria Jurídica. Brasil - Ituiutaba-MG e Florianópolis-SC.